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Aguçando os sentidos durante o treino. out-2005 Quando se fala sobre aprendizado de técnicas de algum esporte, imediatamente nos vêm à mente as famosas seqüências
de instruções e proibições que englobam as metodologias utilizadas.
Fala-se em seqüências passo a passo, como faça isto, depois faça aquilo, jamais faça aquilo outro.
Preconiza-se que a experiência se acumula através da prática e todos os procedimentos devem ser mentalizados e decorados para que se atinja o sucesso na execução dos movimentos. Normalmente
este processo é todo monitorado através do contato visual ou simplesmente através da mentalização; ou seja, qualquer pessoa é capaz de provocar um full stall fechando os olhos e simplesmente
acionando os freios até embaixo, contando até cinco e depois os liberando, caso respeite algumas instruções e proibições básicas.
Entretanto, a compreensão de toda a sistemática dos movimentos tanto no aspecto causas quanto conseqüências, acaba sendo tocado de forma muito superficial, isto quando é sequer tocado ou
infelizmente substituído pelo vão mérito da simples execução.
Acontece que apenas o contato visual é uma "visão" bastante limitada da mecânica do conjunto. Uma vez que além de haver um sem-número de outras sensações a serem exploradas, aquele sempre
conta com um atraso que nos reduz a uma postura corretiva ao invés de preventiva, ou seja, age-se de acordo com os acontecimentos subseqüentemente.
É importante ressaltar que todos os movimentos do esporte estão também relacionados a sensações táteis, auditivas, de equilíbrio e inclusive emocionais.
O ponto em que insisto é que me parece uma ótima idéia que o instrutor procurasse despertar o interesse do aluno por estas sensações "extras" a fim de enriquecer seu processo associativo e
principalmente adicionar um componente de previsibilidade à sistemática dos movimentos de forma a evitar surpresas e antecipar comportamentos.
Assim, de uma forma mais clara e exemplificada, procura-se falar sobre o que o piloto irá sentir antes, durante e depois das manobras de todos os pontos de vista possíveis, pois um aluno não
fica feliz ao ser pego de surpresa quando constatar apenas empiricamente que provocar um full stall significa uma sensação semelhante a cair de uma cadeira ou provocar uma espiral positiva pode
significar engordar mais de 100 kg em uma fração de segundo. Pior ainda é provocar aquele full stall sem nunca ter sido incentivado a explorar a percepção da redução de vento relativo e assim
por diante.
Afinal quais são as más conseqüências de tudo isto? Simples: baixa eficiência da compreensão dos movimentos o que leva a erros e acidentes.

Sivuca – Silvio Ambrosini
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