O aluno didático
Quando Joãozinho
decidiu aprender a voar, não imaginava que
seria tão complicado. Na verdade o primeiro
contato que ele fez com a escola, era para
perguntar a respeito de um “hobby” que ele
pretendia praticar. O instrutor explicou que
parapente não é hobby, que precisa de
bastante dedicação e que se não for feito
com todo cuidado e seguindo todos os
procedimentos de segurança, pode facilmente
se transformar em tragédia.
Joãozinho achou um
pouco de exagero no começo, afinal de vez em
quando via uns caras voando e não parecia
nada daquilo.
Quando o curso começou,
nosso herói viu que o professor estava
certo. Inflar e controlar direito o
parapente era mais complicado do que parecia
e Joãozinho entrou numa fase difícil. Os
exercícios eram difíceis e parecia que
quanto mais ele treinava, menos aprendia.
Durante aquela semana,
Joãozinho encontrou um amigo professor e a
conversa acabou indo para o lado das
técnicas de aprendizado. Joãozinho se
queixava do instrutor e seu amigo ficou
escutando até que disse: Joãozinho, não há
dúvida que o instrutor tem um papel básico e
essencial na formação do aluno, sem ele,
você simplesmente não acontece. Porém,
quando o aluno também consegue sincronizar
com este processo didático, as coisas também
ficam mais fáceis. Na verdade, o processo de
aprendizado é bilateral, depende da
eficiência e da colaboração de ambas as
partes. Vou te dar algumas dicas que tenho
certeza que irão ajudar você a ser um “aluno
melhor”.
1 – procure enxergar
cada movimento como um universo de
movimentos que precisa ser desmembrado, esta
é a base.
2 – comece a
desconstruir cada movimento tentando
entender o motivo de cada etapa do movimento
como um todo.
3 – quando estiver
praticando, procure concentrar sua atenção
em cada uma destas etapas isoladamente, por
exemplo, se você vai inflar o parapente,
comece olhando para sua postura; está
correta? Pratique-a isoladamente
posicionando-se da maneira correta para só
então passar para um movimento seguinte como
encontrar os tirantes; no começo os tirantes
lhe parecem um emaranhado de linhas e tiras,
procure se acostumar com a “carinha” deles
olhando, pegando, largando e pegando
novamente seguidas vezes para só então
passar para a etapa da puxada e assim por
diante.
Na maior parte das
vezes, a dificuldade de aprendizado está
associada ao excesso de informações
simultâneas, estudando separadamente cada
etapa ficará mais fácil com toda certeza.
Veja por exemplo a
dificuldade que temos para aprender a inflar
o parapente reverso. Estamos invertidos e
consequentemente temos sempre a tendência de
nos movermos para o lado errado. O instrutor
André Ramponi desenvolveu uma técnica que
consiste em isolar cada lado do parapente
segurando-o com a mão enquanto o aluno pode
se concentrar na inflada sem que aquele lado
atrapalhe. É um excelente exemplo de
desconstrução do movimento, já que UM é
sempre mais simples que DOIS.
Exercícios de slalom,
corrida rápida, corrida lenta, inflar e
estolar, corrida com obstáculos e vários
outros, são formas muito eficientes de
tornar o processo de aprendizado algo menos
penoso e mais divertido, além de muito mais
eficiente.
Pensar enlouquece,
Joãozinho... pense nisso.
Sivuca – Silvio Ambrosini