Apagando durante a espiral -

Apagando durante a espiral

 

Dando continuidade à discussão começada pela Adriana, que fez surgir
inúmeros e-mails superinteressantes, trago minha contribuição sem querer,
evidentemente, esgotar o assunto.
Antes porém, me permitam falar sobre essa história de "oxigenação",  já que
tenho um bom conhecimento sobre o assunto, pois durante 7 anos trabalhei
como médico hiperbárico (de mergulho).
Quando fazemos uma hiperventilação, não aumentamos em quase nada o teor de
oxigênio no sangue. O que acontece é uma diminuição grande do CO2 sanguíneo.
Isso faz mudar, transitoriamente, o Ph do sangue levando a tonteira.
Nosso tempo de apnéia aumenta? Sim (é só praticar numa piscina e contar o
tempo - pelo amor de Deus com alguém olhando e pronto pra tirar sua carinha
fora d'água!), mas é extremamente perigoso, pois o que nos dá a "vontade"de
respirar durante a apnéia não ''e a baixa de O2 e sim a alta de CO2 que vai
se acumulando devido à continuação de todas as funções orgânicas.  Fazendo
então o que erradamente é chamada de oxigenação, diminuimos o "alarme" para
a próxima inspiração.
Quando mergulhamos as pressões parciais dos gases aumantam e se nós ficamos
mais tempo no fundo do que poderíamos, no regresso para a superfície, com a
consequente diminuição das pressões pareciais (do O2) atingimos o nível de
hipóxia e desmaismos. Chama-se isso de apagamento e acontece quase chegando
à superfície. Só que estaremos lastrados com cinto de chumbo e iremos
abraçar Netuno (salvo se tivermos um "dupla" atento e nos tire da água
rapidamente.
Foi exatamente isso que aconteceu com Claudio Coutinho, Konrado Malta
(ex-campeão mundial de caça submarina) e tantos outros .
Portanto nunca façam isso!
Quanto à força centrifuga que ocorre numa espiral, ele pode nos atingir de
duas maneiras: dando vertigem (desorientação espacial) ou provocando
apagamento (desmaio).
O primeiro depende da suscetibilidade individual - aquela mesma que
determina que enjoa em viagens na serra, montanhas russas, etc e não é
exatamente o G que causa isso e sim o próprio excesso de movimentos a que
nosso corpo é submetido.
O desmaio ocorre também por hipóxia (análogia ao mergulho), pois a
centrifuga faz diminuir tremendamente a perfusão sanguinea no cérebro e o
indivíduo apaga. Quantas voltas? Não sei! Também depende da suscetibilidade
individual: uma nos mais sensíveis e infinito nos mais resistentes. Porém,
se o piloto apagar, os braços cairão a vôo tenderá a se estabilizar por
falta de atuação nos freios, etc... (não é isso pessoal?).
Assim que diminuir o G, o piloto acorda, provavelmente sem entender o que
estava acontecendo. Alguns segundos se passarão até ele se lembrar que
estava voando e continuar no seu vôo.
Só não concordo que ele possa "sentir" o inicio dos sintomas, pois isso pode
ser muito rápido. Creio que a chave do problema é o piloto se conhecer: faça
uma volta primeiro, depois duas, depois três, quatro......e vá vendo como
seu organismo reage.
Fui longo? Desculpem, só quis contribuir.
Bons vôos (sem "oxigenação") e com espirais discretas gente!
Elmo
Bagheera M

 

 

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