| Logo de cara, alguns leitores irão torcer o nariz diante do título deste artigo, já que o piloto de parapente sabe que se o vento estiver muito forte, provavelmente será melhor ele não decolar.
O piloto austríaco Urs Haari, quando esteve
no Brasil lá pelos idos de 1994, já pregava: "se eu preciso de ajuda para decolar, não decolo". Entretanto, as pessoas decolam. As decolagens com vento
além da conta continuam acontecendo e as pessoas também continuam se machucando, ferindo outras pessoas ou danificando seu equipamento.
Quando o vento está muito forte, o piloto muitas vezes é arrancado do chão ou então é arrastado pela rampa.
Isto acontece por um motivo simples, o vento
mais forte traz maior velocidade num espaço
de tempo mais curto e com ela, a sustentação
aumenta também dificultando o ato de manter
os pés no chão. Diante de nossa teimosia humana, podemos evitar alguns ferimentos utilizando
algumas técnicas simples de serem treinadas
e aprendidas:
Posicionamento da vela
Coloque o parapente no chão normalmente, vire de frente para o bicho e segure ambos os tirantes A com uma mão apenas enquanto os freios estão normalmente nas suas mãos. Dê um passo para a
esquerda (se os tirantes estiverem na mão direita) de forma que o lado esquerdo do parapente manifeste tendência de sair do chão antes do direito.
Você pode posicionar o velame parcialmente fechado, principalmente a ponta do lado direito (já que o esquerdo deverá subir primeiro), isto ajudará a inflada ser mais lenta.
Atenção para a postura
Posicione o corpo com as pernas flexionadas e o quadril projetado para trás mantendo o braço direito completamente esticado.
Puxe suavemente os tirantes e observe que o lado esquerdo começa a subir antes do direito. Não dobre o cotovelo durante a subida do velame, isto irá acelerá-lo demais e complicar as coisas.
Uma vez que o alongamento do parapente estiver formando um ângulo de 45° em relação ao chão, comece a atuar no freio esquerdo de forma a retardar a subida. O parapente chegará sobre sua
cabeça virado quase 45° para o lado direito. Corrija a trajetória e faça a decolagem.
Fique atento, isto tudo acontece as vezes em uma fração de segundo.
Quando o parapente sobe assimetricamente, ele exibe uma tendência muito menor de arrancar o piloto do chão e a decolagem fica obviamente muito mais fácil.
Atenção, durante a subida, procure manter as pernas flexionadas e colocar o máximo de peso possível na selete, tracionando o equipamento para baixo. Se seu pensamento está voltado para a
necessidade de fazer peso no equipamento, suas ações irão refleti-lo tornando as coisas mais eficientes.
Não peça lastro e não dê lastro. Decolar é sua responsabilidade. Não é justo delegá-la a outra pessoa que poderá se machucar ou machucar você. Tenha em mente que se um piloto precisa de ajuda
para decolar, isto significa que ele é incapaz de controlar seu parapente em decolagem com vento forte. Esta incapacidade técnica é um problema grave, porém muito fácil de ser resolvido. Basta
fazer um treinamento específico que o piloto rapidamente adquire a técnica "oculta". Neste caso, não será agora que você deverá decolar.
Procure adquirir a mobilidade de deslocar-se para baixo do centro do velame. Alguns pilotos insistem em trazer o parapente para suas cabeças enquanto basta um passo para o lado para resolver
o problema quase instantaneamente.
Evite cancelar a inflada na metade. Você terá dificuldade em manter o equilíbrio com certeza. Apenas infle quando você estiver
seguro, se bem que "estar seguro" é um conceito relativo.
Não fique brigando com o parapente que quer decolar sozinho. Desloque-se em direção a ele ou corra em volta dele. As linhas se afrouxarão e tudo ficará mais fácil.
Segurar o parapente que não quer ficar quieto utilizando os tirantes C é uma boa idéia. Porém na hora de decolar, largue os C e proceda normalmente utilizando os freios.
Evite ao máximo utilizar o acelerador. Se tiver de fazê-lo, esteja ciente do risco de colapso e da dificuldade extra em corrigir. Poderá ser o último de sua vida. Lembre-se que a velocidade
máxima de decolagem jamais deverá levar em conta a possibilidade de uso do acelerador.
Cada piloto tem seus limites, porém na maioria das vezes estes limites são determinados através da dura experiência, e são sempre concluídos com a frase "nunca mais tento decolar com esse
vento"...
Se a carga estiver menor que o máximo, certamente a velocidade cruzeiro será inferior àquela determinada pelo fabricante e a dificuldade em inflar e controlar o parapente será bem maior.
Pensando bem, se você está abaixo da faixa média de seu velame, desista.
O gradiente irá proporcionar um aumento expressivo na velocidade do vento logo acima da decolagem, por isto, jamais decole no limite. Vento mais forte que 25km/h já pode ser considerado vento
forte. Acima de 30, ao meu ver, é proibitivo para a maioria dos pilotos. Acima de 35km/h, a decolagem é pura tolice.
Bem, já que tomamos a estúpida decisão de fazer este vôo, agora o negócio é pousar... Mas antes precisamos chegar ao pouso ou algum lugar que se pareça com um. Não adianta caranguejar quando
você não consegue ir para frente. O aparente aumento de velocidade causado pelo deslocamento lateral não irá te levar para frente, a não ser que você tenha visto um pouso ao lado, neste caso
inclusive poderá ser uma boa idéia.
Leve em conta que voar para a lateral de uma montanha com vento forte poderá significar entrar em uma zona de venturi, com alto nível de turbulência e ventos ainda mais fortes.
Se você tem altura, talvez seja a hora de finalmente acionar o acelerador. O mais prudente neste caso seria você ficar atento ao seu angulo de ataque, ou seja, se a vela (pensar em)
mergulhar, alivie imediatamente o pé da barra, fazendo o inverso quando a vela for para trás, aproveitando inclusive isto. Com orelhas a probabilidade de colapso reduz um pouco, porém a
velocidade também diminuirá. Você terá de compensar utilizado o acelerador próximo do máximo. Lembre-se que se estiver turbulento o seu parapente mostrará vontade de mudar de direção, entrando
em curva a todo momento o que poderá significar um caranguejar nocivo ao seu deslocamento horizontal.
Não permaneça acelerado ao se aproximar do solo. Se você sofrer um colapso acelerado a perda de altura será contundente e você nem sua família irão gostar das possíveis conseqüências.
Leve em conta que você precisará garantir que o velame volte a ser um pedaço de pano o mais rapidamente possível. Assim, recomendo que ao se aproximar do chão, toque-o flexionando as pernas
de modo que você fique agachado tentando aproximar o velame o máximo do solo que for possível. Fique com os tirantes C nas mãos enquanto isso e quando estiver preparado, levante-se num salto ao
mesmo tempo em que puxa os tirantes para baixo. A perda de sustentação causada pelo seu repentino deslocamento para cima e a tração nos tirantes ajudará você a colapsar a vela quase facilmente.
É difícil? E quem disse que era fácil?
Assim que a vela for se esparramando pelo chão, corra em volta dela, descrevendo um raio ao redor do centro do parapente até ter alcançado o outro lado. O velame ficará sem ter como arrastar
você.
Cuidado, não tente pousar com vento forte utilizando os freios. Você será arrastado com certeza.
Espero sinceramente que estas informações jamais venham a ser utilizadas na prática por qualquer um de nós.
Sivuca
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