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A importância do medo.
27 de fevereiro de
2009
Fazia
bastante tempo que eu não voava e quando
decolei, fui tomado por uma sensação que
havia muito tempo não sentia; é engraçado
dizer, afinal sempre ou ao menos na maioria
das vezes que pensamos e principalmente
sentimos esta sensação, também pensamos em
coisas como susto, assustar, ou ficar
assustado. E você vai perguntar, E que
sensação era essa?, A sensação era medo. Mas
havia uma diferença importante, não era um
medo que me assustava, nem um medo me fazia
pensar em pousar o mais rápido possível,
para dizer a verdade não me fazia pensar em
pousar tão cedo, pois naquele exato momento
o medo que eu sentia e que se revelava como
um misto de calafrio e suor que subia pelo
rosto provocava uma segunda sensação ainda
mais surpreendente, eu sentia fascínio.
Estava fascinado com a possibilidade de
explorar uma sensação normalmente indesejada
num momento que estava evidentemente sob meu
controle. Pensei um instante, Será que
realmente este momento está sob meu
controle? Sim, estava. Eu podia pilotar meu
parapente como sempre havia feito, mas desta
vez experimentando cada décimo de segundo de
meu voo com um novo sabor agridoce. Eu podia
descrever a força que fazia nos comandos, a
inclinação do corpo, o vento no rosto, as
variações de pressão, os pêndulos, tudo era
impressionantemente vivo, como se essa
pontinha de medo fosse justamente a
responsável pela revelação de tantos
mistérios.
Então,
diante do medo de fechar mais uma curva para
enrolar uma termal, eu transgredia a
fronteira fechando-a e em seguida me sentia
espetacularmente seguro. Eu fazia isso
porque sabia, sempre soube, sempre constatei
que rodar termal fechado é mais seguro e
então assim eu fazia. Foi nesse momento
então que tive outra revelação: Nessa hora
percebi o quanto é importante o ato de
transmitir essas informações aos alunos, aos
que ainda não tem real certeza do que irá
acontecer. Foi nessa hora que percebi que
quando um aprendiz sente que pode confiar em
seu professor, ele está literalmente nas
nuvens.
Quando
o instrutor conta para seu aluno quais serão
as sensações que ele irá sentir naqueles
momentos e este efetivamente as sente, não
há como aterrorizar-se, não há como dar um
passo para trás. Isso nos deixa clara a
importância do papel do instrutor quando é
feito em sua totalidade. Aquele instrutor
que explora exclusivamente o aspecto
técnico/mecânico está infelizmente
fechando-se em um casulo. O aprendizado vai
muito além do desenvolvimento de técnica; as
emoções e sentidos estão seriamente
engajados no processo e se forem deixados de
lado, nunca haverá um progresso real ou ao
menos a continuidade deste, quero dizer que
o processo de aprendizado irá empacar,
atolar no domínio técnico e não poderá
encontrar crescimento além de determinado
ponto.
O medo
então, não deve ser olhado como um problema,
mas sim como um regulador, um verdadeiro
professor que nos coloca diante de desafios
que uma vez suplantados, pode gerar
resultados a nunca serem perdidos. Enfrentar
o medo procurando compreender suas origens,
seus mecanismos é inquestionavelmente uma
das mais importantes formas de compreender
como funciona nosso esporte e baseado nisto,
encontrar caminho para crescimento e
aprendizado.
Sivuca

Sivuca - Silvio Ambrosini
Sivuca é instrutor de manobras e ministra o
Curso de Segurança do Sivuca
Ele também é autor do
livro “Voando de Parapente”, a venda neste
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Sivuca em
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