Meditação e vôo livre. - parte 1

Meditação e vôo livre.

Até meados dos anos 60, quando os Beatles ainda não tinham Maharishi Mahseh como guru e este, não ter trazido ao ocidente suas técnicas de meditação, pouco se falava sobre este assunto. Mais de quarenta anos se passaram desde o início deste método de compreensão de sim mesmo e ainda para muita gente, meditar ainda significa muito pouco, ou pior, possui um significado deturpado, desencontrado, equivocado.

Tenho escutado dizer que meditação é algo que vai além de sentar em posição de lótus e entoar mantras. Ao mesmo tempo também escutei dizer que apesar de criar meios de guiar-nos para lugares ligeiramente mais próximos de realidades até então tidas como fantásticas como entrar em uma "outra dimensão", a meditação é algo ou começa com algo muito mais simples. Este ponto de partida, inclusive se torna obrigatório, como se fosse um portão a ser transposto para um lugar onde não é possível entrar pulando o muro, ou se é possível, por exemplo, através do uso de drogas, não há como compreender o que acontece do outro lado sem que a entrada tenha sido feita de forma inteiramente presente e consciente.

Isto nos tranqüiliza, pois o uso de drogas para atingir certos estágios de consciência prova-se eficaz apenas do ponto de vista contemplativo, como nos fosse apenas possibilitada a oportunidade de ver um vídeo do que realmente é "estar lá", enquanto que através da verdadeira meditação conseguimos de alguma forma realmente entrar neste mundo, integrar-se verdadeiramente a ele. Naturalmente esta possibilidade não nos é proporcionada de um momento para outro. É necessário muito tempo, muita dedicação, às vezes de uma vida inteira e muitas vezes sem o menor sucesso.

A verdade é que o simples passar na frente deste portão de consciência, já é uma grande conquista, que vai muito além de qualquer contato menos consciente, por mais intenso que ele aparente ser.

E o que é afinal este mundo? Escutei dizer que apesar de muitos de nós sermos inclinados a negar isto, o verdadeiro controle sobre nós mesmos está longe de ser uma realidade. Segundo estas pessoas, tudo em nós acontece, de forma que não temos nenhum controle sobre estes acontecimentos. Imagine que se nos é extremamente complexo administrar nossas reações diante dos acontecimentos, de modo que não podemos controlar nossas emoções; controlar os acontecimentos é então tão distante de nós quanto a possibilidade real de sequer uma compreensão desta definição, ou seja, isto está tão longe que nem sequer podemos compreender as implicações do ato, quanto mais o ato em si.

Mas voltando ao que foi dito anteriormente, o mais superficial contato consciente com as possibilidades deste "outro mundo" já é um longo caminho. Se compararmos com algo mais concreto, equivaleria dizer que este outro mundo situa-se "no Céu", nas nuvens... e nosso mundo, está aqui no chão. Chegar até as nuvens não é fácil, porém também subir meio metro acima do chão também não é fácil. Se nos fosse possível subir este meio metro, já teríamos conseguido dar um passo enorme naquela direção.

Estas mesmas pessoas dizem que o primeiro passo para conseguirmos um flash deste mundo é sermos capazes de escutar a nós mesmos. Elas alegam que estamos constantemente povoados de pensamentos que não permitem este contato. Tais pensamentos tomam toda nossa atenção de modo que nos tornamos seres reativos e não ativos. Nossos pensamentos se assemelham a uma secretária histérica que fica o tempo todo nos lembrando de tudo aquilo que temos de fazer ou pior, daquilo que fizemos ou deixamos de fazer. A secretária apenas lembra, ela não é capaz de fazer nada, de tomar qualquer decisão. Nossas mentes tampouco, pois não encontram espaço para um verdadeiro planejamento já que estamos constantemente ocupados escutando a esta secretária enlouquecida.

Conseguir ser capaz de fechar os ouvidos para os apelos da secretária constitui o primeiro passo no sentido de conseguirmos ser capazes de "escutar outros sons" ou escutar o nada. Este nada seria um estado de silêncio interior, onde nenhum pensamento nos ocorre. Experimente você mesmo, eu já experimentei. É extremamente difícil! Experimente não ter nenhum pensamento. Mesmo que seja por uma fração de segundo, você imediatamente perceberá que algo novo acontece.

O velho Platão contou uma boa história que diz que estamos sentados ao fundo de uma caverna virados de costas para a entrada. A nossa frente há apenas sombras de alguns movimentos que acontecem do lado de fora. Ele dizia que estas sombras constituem nosso mundo sensorial. O grande filósofo ia adiante dizendo que por algum motivo, uma destas pessoas se levantou e foi até a entrada da caverna, porém a luz externa era tão forte que lhe feriu os olhos e ele não foi capaz de ver nada tendo de retornar imediatamente para a escuridão. Sem se dar por satisfeito, esta pessoa teria se levantado novamente mais tarde e tentado com todas suas forças acostumar-se com a luminosidade exterior até que por fim seus olhos conseguiram enxergar a maravilha que havia no mundo fora da caverna. A compreensão que passara a vida apenas interagindo com sombras foi uma revelação tão estarrecedora, tão apavorante que ele chegou muito perto da própria morte. Finalmente a compreensão de que aquele novo mundo agora era dele o fez que virasse as costas para a caverna para todo o sempre, mas não sem antes procurar convencer os outros que ali ainda permaneciam. Não conseguiu êxito, ninguém podia suportar a luz que emanava da porta da caverna e ele viu que não havia mais nada que pudesse ser feito, seguindo seu caminho em direção ao seu novo mundo, sua nova dimensão, sua nova compreensão de tudo o que o rodeava. Só lhe restou lamentar a ausência dos seus entes, porém não havia nada que pudesse ser feito.

parte 2 - clique para continuar

 

Mais artigos? clique aqui em

Hit Counter