Achei super legal a simplicidade com que um senhor ,que vôa de
planadorzinho rádio
  controlado,escreveu sobre algumas nuvens que por aqui ,no parapente,as
vezes fica
  complicaaaaaaado.........

  Lá vai.......
  abraços
  Pelica
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 As térmicas são geradas pelo aquecimento do solo, que esquenta uma camada
de
ar, que sobe como uma bolha, ou algumas vezes, se a geração de ar quente
for
suficiente, como uma coluna contínua (são térmicas quase que estacionárias,
não se deslocam com o vento porque o pé delas está fixo no solo; mas são
inclinadas). O ar quente tem um teor alto de umidade, na maioria das vezes.
Ao atingir uma certa altitude (depende da umidade relativa e temperatura),
atinge-se o ponto de condensação dessa umidade, e a energia da ascendente
se
dissipa ao condensar o vapor. A temperatura do ar baixa e a térmica não
passa dessa altitude. Forma-se a nuvem. Embaixo de uma nuvem sempre existe
uma ascendente, que porém, pode estar se dissolvendo. Neste caso, a nuvem
também se dissipa em pouco tempo mais.
Em dias com muito calor e umidade, a condensação da umidade da ascendente,
que reduz a temperatura, faz com que o ar ao redor também se condense e
esfrie, e o fenômeno é auto-alimentador, ou seja, se realimenta, e um
pequeno núcleo de condensação gera um processo que vai aumentando sempre.
Existe uma instabilidade na atmosfera, e o resultado é uma nuvem gigantesca
(CB), com energia capaz de destruir um avião com facilidade. Ascendentes da
ordem de 13 m/s já foram medidas no pé dessas nuvens, enquanto elas ainda
não haviam desaguado em tempestade ou granizo. Esta velocidade já é
suficiente para aprisionar um modelo. Para sempre.
Ninguém em sã consciência vai voar em uma condição dessas. O que vemos
normalmente são cúmulus nimbus bastante desenvolvidos, que não se
desenvolvem como CB's. Neste caso existe estabilidade atmosférica, e a
nuvem
cresce até certo ponto. Mesmo assim, pode levar um Ugly Stick com motor
desligado para cima.
Já estive por diversas vezes em situação crítica debaixo de uma nuvem
dessas. Perdi muitos modelos de voo livre para o deus das nuvens, e iaao
quase aconteceu com planadores RC também. Em primeiro lugar, não se deve
subir muito. Se você perceber que a ascendente é muito forte, e seu modelo
não é rápido, é melhor sair da ascendente e voltar mais embaixo. Voe em
linha reta para longe da nuvem. Muitas vezes isso não adianta, pois a
ascendente pode ser muito extensa. Picar é uma solução, mas o que eu
normalmente faço é espiralar o modelo usando só o leme (poliedros). Ou
usando o flap, mas nesse caso o modelo provavelmente será daqueles que
agüenta qualquer parada. De qualquer forma, saia de perto daquela nuvem o
mais que der!
Existe outro tipo de ascendente forte que chega com as frentes
"tormentosas"
(em espanhol, como no livro sobre voo a vela que li). Não é comum ver uma
dessas, mas já perdi um modelo assim. A frente chega como se fosse uma onda
negra, e entra como um cunha, o ar frio vai levantando o ar quente onde
estamos voando e o vento aumenta repentinamente. Uma vez em Bauru observei
o
Neivão (planador) ser colhido por uma cunha dessas. O piloto não percebeu a
aproximação da frente, e o vento era tão forte e perpendicular à pista, que
eles pousaram verticalmente na pista de acesso, que tem apenas 100 metros!
Existem muitas situações de turbulência que podem quebrar ou levar um
aeromodelo. Uma térmica muito forte desenvolve um rotor, por exemplo, como
o
visto na abertura daquela fita vocês sabem qual. Mas na maioria das vezes,
quando vamos voar, o que encontramos é... descendente! Ao redor de uma
ascendente, existe a sua oposta, que tem velocidade muito menor mas área
muito maior. É mais facilmente encontrada... E como achar a térmica?
Existem
muitas situações, e só a prática vai ensinar. Muitas vezes se encontra a
térmica "manteiga", sem turbulência, larga, deliciosa de se voar, porque
pode-se fazer curvas bem abertas. Não tem centro! Existe a térmica fechada,
de grande velocidade e diâmetro reduzido. Nesta temos que centrar e voar
com
grande inclinação. É a mais difícil, porque centrar uma térmica depende de
observação e experiência. Voando em linha reta, se percebe a descendente
com
facilidade. Quando o modelo entra na térmica, a diferença de velocidade
relativa do ar provoca uma mudança de atitude, e normalmente se nota que o
nariz tende a levantar. Se porém seu CG está muito para trás, isso não vai
acontecer, mas com um pouco de prática se percebe que "o ar está bom".
Prática!!!
Outro aspecto é o modelo. Um Gentle Lady tem baixo afundamento, mas quase
não tem planeio. Surpresos? Planeio é definido como o quanto se avança
dividido por quanto se afunda. O GL afunda pouco, mas não anda. Tem muito
arrasto. Já um modelo com relação de planeio melhor pode explorar a
atmosfera sem perder altitude, o que permite maior possibilidade de
localizar o ar bom. Mais um detalhe, a velocidade de vôo depende do peso,
área e coeficiente de sustentação do perfil. Menos peso, mais área ou maior
CL significam menor velocidade para que o peso se iguale à sustentação.
Pode-se aumentar a velocidade mudando o CL (picando), mas normalmente isso
faz o perfil trabalhar numa faixa com maior arrasto, e a perda de altitude
é
grande (tente isso em um GL!). O melhor é acrescentar peso para andar mais.
A relação de planeio praticamente não muda, e o modelo desce mais depressa
porque está mais veloz. Mas em condições de vento, é melhor ter um modelo
mais rápido que não tenha que ser picado para andar (situação em que ele
desce muito mais rápido). Outro aspecto interessante é que os modelos
trabalham em número de Reynolds relativamente baixo. Aumentando a
velocidade
faz com que se trabalhe em Reynolds mais elevado, e alguns modelos podem
passar a render muito mais!. Tente voar lento com um modelo como o Ellipse
e
verás como ele desce! Acelera e ele fica para sempre! Neste caso, lastro
quase não muda o afundamento, apenas faz ele andar mais (e torna o pouso um
pouco mais difícil).
Por hoje é só! Espero ter esclarecido algumas dúvidas e criado outras novas
:-)))

André Gomide


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