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  • Silvio Ambrosini

Que parapente eu compro?

Atualizado: Set 1

Que parapente eu compro?

Texto original em http://www.ventomania.com.br/dados/artigos/que_parapente_eu_compro.htm

Antes de pensar em qual equipamento comprar, o piloto deve estar preparado para voar num parapente que o faça sentir confortável e confiante. Por mais que você tenha sonhos radicais, seu equipamento precisa sob qualquer hipótese ser uma máquina em que você possa confiar, caso contrário, todo seu investimento poderá se transformar em desistência do esporte ou até tragédia.

Apesar dessa recomendação, é comum ficar sabendo de pilotos que mudaram para equipamentos mais radicais e acabaram minguando em voos menos interessantes ou terminaram por se acidentar.

A segunda questão diz respeito à necessidade que muita gente tem de fazer um “excelente negócio”. Infelizmente é comum também que em busca de uma oportunidade “imperdível”, o piloto adquire um parapente inadequado para seu nível ou para seu peso.

O ser humano tem dificuldade em lidar com um conceito abstrato como o acúmulo de experiência ou de habilidade técnica, é mais fácil adotar uma visão materialista e concentrar-se na máquina, que é um objeto concreto. Então o piloto acredita que basta adquirir um modelo mais radical para que isso mude sua vida de voador. De fato, muda… mas para pior, na maioria dos casos. Então, o piloto que costumava se divertir nas mais diferentes condições, passa a amargar o medo de não conseguir lidar com o novo equipamento e termina na rampa assistindo os colegas voando enquanto seu super parapente fica guardado dentro da mochila. Cansado daquela situação, resolveu arriscar e pendurado no céu, passa minutos longos e aterradores desejando estar de volta no chão… tenho certeza que não é isso que você quer, a menos que você esteja precisando de séria assistência psicológica.

A primeira coisa a se considerar é o seu perfil; veja logo abaixo:


EN A:

Também chamados de "Escola". São aqueles parapentes que recebem homologação EN A e são muito tranquilos, possuindo uma grande capacidade de "perdoar" erros do piloto. Hoje em dia, mesmo os equipamentos A contam com um saudável nível de agilidade, mas talvez possam cansar os mais experientes, arrojados ou muito frequentes.

EN B:

Os parapentes mais vendidos do mundo, também chamados de "Iniciante - Intermediários básicos", são equipamentos possíveis inclusive para iniciantes mais arrojados e bastante frequentes. São um pouco mais ágeis na pilotagem, mas sem comprometimento da segurança passiva. Muitos pilotos que terminam seus cursos com sucesso e habilidade, adquirem um parapente B. Muitos pilotos também, jamais trocam de categoria, pois não há dúvida que os parapentes B sintetizam a melhor relação de desempenho e segurança do esporte como um todo.

EN B Hot:

Este é o "pau pra toda obra". Também chamados de "Intermediários básicos". São equipamentos intermediários clássicos, pois possuem comportamento mais ágil que os EN B, além de melhor desempenho nas versões mais atuais. Não são indicados para iniciantes, mas uma vez que compreendem um mercado bastante importante, as fábricas mais velozes estão investindo nestes equipamentos atualmente.

EN C:

Também chamados de "Intermediários avançados". São verdadeiros intermediários e com homologação C. Indicados para pilotos arrojados que já voam a pelo menos 2 ou 3 anos em busca de voos de longa distância ou participar de campeonatos. Não são indicados para os pilotos pouco frequentes ou mais conservadores:

EN D

Também chamados de "Performance". São parapentes de alto desempenho, apenas indicados para quem realmente tem experiência e participa de competições ou faz voos de longa distância. Precisa de atenção constante do piloto e pode exibir comportamento bastante perigoso diante de erros. É contraindicado para pilotos que querem tranquilidade, pouco frequentes e com pouca experiência. Alguns modelos são um pouco mais tranquilos e até possuem homologação C, porém não deixam de ser parapentes exigentes.

CCC

São os modelos de competição das fábricas. Normalmente não possuem homologação e seu uso é por conta e risco do piloto. São parapentes muito ariscos e difíceis de serem pilotados. Demandam atenção constante do piloto e possuem reações potencialmente dinâmicas e perigosas. Pilotos ocasionais, dificilmente se sentirão confortáveis voando com esse tipo de máquina. Os pouco experientes, estarão a passos de conhecerem a vida além do túmulo se resolverem investir nesse caminho.

Conclusão

Proteja-se contra as sugestões de outros pilotos (que não entendem do assunto) ou pior, instrutores inescrupulosos querendo livrar-se de equipamentos encalhados. Não há o menor sentido em iniciar no esporte adquirindo um equipamento intermediário ou de alta performance, por mais aparentemente vantajoso que o negócio seja. É risco de vida na certa. Duvide de conversa mole de gente que não tem respeito pelas pessoas e só pensa em seu benefício próprio. Procure escolas e instrutores homologados pela Associação Brasileira de Parapente ABP ou pela CBVL. Não faça voo duplo com pilotos sem habilitação. É risco de vida na certa!

Se você já conhece seu saída de escola ou intermediário, não é um piloto de competição e só quer voar por lazer, fazer uns crozinhos de vez em quando, enrolar umas térmicas e terminar o dia com a galera, tudo com segurança e bom rendimento, então seu parapente é um INTERMEDIÁRIO. Aquele C sabe? A não ser que você seja muito experiente, esqueça os D, são mais caros, exigem muito do piloto e só são úteis se você de fato voa longa distância regularmente, compete com frequência e está disputando posições no campeonato.


Texto: Sivuca - Silvio Ambrosini




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